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CASTAGNETO
Praia e Igreja de Santa Luzia, óleo sobre tela (32 x 52 cm), de cerca de 1885: paisagem carioca que não existe mais. Coleção particular.
Foto : Arquivos da Pinakotheke Cultural
Os reflexos do sol, das nuvens e dos barcos na água, a brancura das velas, a imponência dos mastros, a espuma das ondas chegando à praia, estes foram os temas que predominaram na pintura de Giovanni Castagneto (1851-1900). Suas paisagens marinhas de tons claros, às vezes quase monocromáticas, cinza-azuladas ou douradas, incluíam eventualmente os pescadores, as casas e as igrejas de povoados à beiramar. Tal era o seu mundo, estivesse no Rio de Janeiro, na França ou em São Paulo. “Foi um paisagista extremamente sensível, produzindo obras de forte apelo psicológico”, escreveu o crítico Tadeu Chiarelli (51) no livro Arte Internacional Brasileira (Lemos Editorial). De temperamento rebelde, Castagneto rejeitava regras. Pintava de modo intuitivo e apressadamente, com os intrumentos e suportes que tivesse à mão no momento. Além dos pinçéis, usava gravetos e mesmo os dedos para aplicar a tinta sobre telas de dimensões as mais variadas, pedaços de madeira, tampas de caixas de charutos e até conchas. Em 1888, ao comentar seu modo caótico de pintar, o crítico carioca Luiz Gonzaga Duque Estrada (1863-1911) concluiu, enlevado: “Mas quanta expressão nesses empastelamentos, quanta individualidade nesses borrões despretensiosos e sinceros!
Uma obra de Castagneto participou da última grande festa da monarquia no Brasil: o famoso baile da Ilha Fiscal, realizado na noite de 9 de novembro de 1889. Com grande pompa e luxo, o imperador dom Pedro II (1825-1891) recebeu naquela ilha, localizada na Baía da Guanabara, a tripulação do navio chileno Almirante Cochrane e a presenteou com obra encomendada ao artista, representando o navio, a ilha onde se deu a extravagante comemoração e o encouraçado brasileiro Riachuelo. A história é contada no catálogo Castagneto (Pinakotheke Cultural). Seis dias depois o marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892) proclamaria a República. Dom Pedro e sua família seriam banidos do país.
Marinheiro em sua terra natal, Gênova, na Itália, Giovanni Battista Felice Castagneto (ao lado, em retrato de autor desconhecido) chegou ao Rio de Janeiro com o pai, em 1874, aos 22 anos. Aos 25, ingressou na Academia Imperial de Belas-Artes. Em seguida, lecionou desenho no Liceu de Artes e Ofícios e foi assistente na decoração da Igreja da Candelária. Boêmio e rebelde, deixou a academia para acompanhar o mestre Johann Georg Grimm (1846-1887), que montara ateliê na Praia de Boa Viagem, em Niterói. Em 1890 foi para a França e passou três anos estudando em Toulon. De volta ao Brasil, pintou o litoral paulista. Em 1895 teve uma mesenterite (inflamação da membrana que envolve os intestinos), e sua saúde, já comprometida pelo alcoolismo, se debilitou. Morreu no Rio, aos 49 anos.

Saiba mais sobre os movimentos que delinearam os vários estilos da Arte Moderna e Contemporânea no mundo.

 
 
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